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Gentileza gera Gentileza – Minha referência

27/09/2016
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Feliz Aniversário! 27/09

Há alguns dias atrás, em uma brincadeira no facebook, duas pessoas publicaram um post para dar elogios a quem comentasse. Como são pessoas próximas e a campanha era sobre o Setembro Amarelo, fui lá comentar. Ambas as pessoas fizeram o mesmo elogio a mim, de que eu sou uma pessoa gentil. Eu fiquei tocada porque é uma qualidade a qual valorizo e admiro muito nos outros mas que nunca me dei conta de que eu a tivesse. Qual seria a minha referência em gentileza? Como a fruta nunca cai longe da árvore, percebi que a qualidade de ser gentil vem por conta de meu falecido pai carnal. Todos nós tendenciamos a repetir o comportamento de nossos pais, não só em qualidades mas os defeitos também. Tive que lembrar de várias sensações e até mesmo eventos em que eu via o meu pai sendo tão gentil com as pessoas e o porquê disso me transtornar. Sim, me transtornou.

Meu pai era um taurino muito inteligente, era mandão, mas um bobo em relação aos outros. Toda a família dele tem muitos “causos” a contar sobre ele, o tipo de pessoa que ele era (principalmente os defeitos), pelo menos antes dele conhecer a minha mãe. E eu lembro muito bem que meu pai era capaz de doar a própria roupa para alguém que ele valorizasse. Só que meu pai era pobre, tinha poucos recursos, sempre teve uma vida material difícil com a minha mãe e tendo que criar dois filhos pequenos. Ele tinha dois empregos e amargava as escolhas que tinha feito no passado em não estar bem de vida como outras pessoas.

Mas meu pai era extremamente gentil, tão gentil que muitas pessoas o faziam de otário. Diversas vezes eu o vi querendo agradar os outros, mas ninguém o ajudava quando ele precisava. Conto nos dedos de uma única mão quem ajudava. Claro, ninguém tem obrigação de ajudar a ninguém, mas eu cresci vendo o meu ídolo chorar por algumas vezes porque encontrava sempre ingratidão. Muitas pessoas egoístas esbarravam na gentileza dele e se aproveitavam. Pessoas as quais meu pai considerava amigos e, na verdade, só queriam alguém que fosse uma espécie de “peão” para manipularem. É, porque meu pai não tinha dinheiro, então só poderiam usar a boa vontade dele em querer ajudar os outros.

Um dia, já maiorzinha, perguntei ao meu pai o porquê dele ainda teimar em repetir certos erros, como ajudar certas pessoas, se ele só ganhava ingratidão e decepção. Meu pai, com aqueles olhos verdes grandes que ficavam maiores atrás dos óculos, disse-me que se os outros eram ingratos, o problema estava com os outros, que ele não poderia mudar a essência dele porque ele sabia que fazia parte da índole e do caráter dele ser gentil. Ainda disse que eu me tornaria uma pessoa melhor se eu seguisse os mesmos passos, porque quem age de acordo com a bondade, sempre é recompensado de alguma forma, se não for pelas pessoas, mas que seria pela Vida.

Somente agora reconheço que sempre fiz as mesmas coisas que meu pai sempre fez, passando pelas mesmas situações. Acredito que agora eu consiga até fazer as pazes com o “masculino” dentro de mim, porque sempre projetamos nos outros o que temos como referência em nossa vida. E que não adianta fazer nada disso em busca de Amor, porque é um sentimento que não precisa ser condicional para que seja pleno. Amor é um sentimento tão sublime de reconhecimento do indivíduo pelo que ele é, e não pelas coisas que aquela pessoa faz por você.

Com essa mensagem, quero dizer que sou grata a todos que participaram da minha vida, por todo o aprendizado adquirido, até mesmo as decepções que me mostram por onde devo seguir. Quanto mais próximos estivermos do Plano Divino de nossa essência, cada um de nós será um ser mais completo, mais feliz.

Que este texto ajude as pessoas que precisam (re)conhecer a si mesmas e resgatar suas referências.

Gratidão _/\_

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